segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Espíritos Malignos e Mentirosos Podem Provir de Deus? (I Samuel 18:10 – I Reis 22:19-20)


Espíritos Malignos e Mentirosos Podem Provir de Deus?  (I Samuel 18:10 – I Reis 22:19-20)

Inegavelmente nos encontramos diante de declarações que causam dificuldades aos leitores. Para boa compreensão destas passagens é necessário ter em mente os seguintes fatos:
1º) Tanto anjos bons quanto maus estão sujeitos ao poder de Deus. O próprio poder de que Satanás dispõe lhe é permitido por Deus.

2º) Veracidade destaca-se como atributo divino (Números 23:19), enquanto Satanás é o originador da mentira (João 8:44).

3º) É difícil, por vezes, transmitir em português o que os escritores bíblicos expressaram em hebraico e grego, por serem línguas com peculiaridades distintas.

Partindo do princípio que a divindade não está imbuída de nenhum espírito maléfico, a lógica determina que nenhum ente espiritual malfazejo integra a Essência Divina, logo nenhuma personalidade angelical maligna pode emanar de Deus precisamente o termo hebraico ocorrente em I Samuel 18.10.
O que se deve ter muito em conta nesta investigação teológica é que a expressão (em português) “da parte de” não aparece no original hebraico. O famoso interlinear de Green traz, cautelosamente, a preposição inglesa from entre parênteses, querendo com isso denotar que não pertence ao Texto Massorético.

A melhor explicação para 1 Samuel 18:10 é a que fornece o teólogo A. Neves de Mesquita em sua obra Estudos nos Livros de Samuel, quando comenta 16:14-23. Eis o que diz:

“Deus mandara tanto nos espíritos bons como nos maus. Nada escapa ao governo divino, e os demônios são usados para perseguir os que estão desviados. O mundo invisível é muito misterioso para nós que só entendemos as coisas de acordo com a vista. Pode-se entender pelo texto que Deus tanto mandou um espírito mau para Saul, como o permitiu. Tanto vale uma coisa como outra. Em Jó capítulo 1 verso 7, Deus dialoga com Satanás a respeito das atividades deste na Terra. Parece estranho, mas não é. Deus tem sob Seu domínio anjos e demônios, como tem os homens, e usa-os no Seu governo providencial, do modo que quer.”
Há uma particularidade no sistema verbal hebraico que deve ser lembrada. O chamado “hifel” é causativo, mas também é permissivo. É tarefa árdua distinguir nos escritores do Antigo Testamento o que é executado por Deus e por Ele permitido. Esta informação lança luz sobre o endurecimento do coração de Faraó.
O espírito maligno da parte de Deus significa permitido por Deus.

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